Depois de anunciar o fim da experiência em headsets Quest, a empresa recua e garante suporte por tempo indeterminado aos usuários da plataforma.
Quem acompanha o universo do metaverso viveu dias de dúvida em 2026. Em fevereiro, a Meta anunciou que o Horizon Worlds deixaria de funcionar em realidade virtual, migrando quase inteiramente para versões mobile em iOS e Android. Semanas depois, um novo comunicado detalhou datas específicas para o desligamento, incluindo o dia 15 de junho como marco final do acesso via headsets Quest. A notícia foi recebida por muitos como a confirmação de que a aposta original de Mark Zuckerberg em um metaverso imersivo havia fracassado. No entanto, menos de 24 horas após o anúncio de encerramento em março, a companhia voltou atrás. O que ficou, afinal, para quem já investe tempo e dinheiro nesses mundos virtuais, e o que esse vaivém diz sobre os rumos do projeto que deu nome à própria empresa.
Por que a Meta decidiu encerrar o Horizon Worlds em VR
O Horizon Worlds nasceu em 2021 como o carro-chefe do metaverso da Meta, reunindo comunidades para socializar, jogar e construir espaços virtuais dentro dos headsets Quest. A plataforma, porém, nunca conquistou uma base de usuários próxima da esperada. Segundo o Mundo Conectado, o Horizon Worlds jamais superou algumas centenas de milhares de usuários mensais ativos em VR, um número pequeno se comparado aos mais de 100 milhões de usuários diários do Roblox. Diante desse cenário, a divisão Reality Labs, responsável pelo desenvolvimento de VR e realidade aumentada da empresa, acumulou prejuízos que somam dezenas de bilhões de dólares desde 2020.
Foi nesse contexto que a Meta anunciou, em fevereiro, a separação entre o Horizon Worlds e a plataforma Quest, priorizando o formato mobile. A ideia era competir diretamente com Roblox e Fortnite, aproveitando a base de bilhões de usuários das redes sociais da empresa para atrair jogadores para experiências sociais simultâneas. Em março, a companhia detalhou o cronograma: a partir de 31 de março, mundos como Horizon Central e Events Arena deixariam de aparecer na loja do Quest, e em 15 de junho o aplicativo seria removido por completo dos headsets, restando apenas a versão para smartphones.
O recuo e o que muda para quem usa o Quest
A reviravolta veio rápido. Segundo o Mundo Conectado, o executivo Andrew Bosworth, CTO da Meta, publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que a empresa havia se afastado do Horizon Worlds em VR, mas que a plataforma não estava morta. Bosworth atribuiu a mudança de rumo à pressão de usuários preocupados em perder acesso aos jogos que já utilizavam nos headsets, e garantiu que a companhia segue trabalhando nas próximas gerações de dispositivos Quest.
Na prática, o recuo significa que o Horizon Worlds continuará funcionando em realidade virtual por tempo indeterminado, mas sem receber novos jogos ou conteúdos exclusivos para VR. Os benefícios da assinatura Meta Horizon Plus, como créditos, roupas digitais e itens de avatar, seguem sendo descontinuados conforme o plano original, e o recurso social do Hyperscape Capture, que permitia compartilhar reconstruções 3D de locais reais, também deixou de existir. Ou seja, o usuário mantém acesso ao que já tinha, mas o investimento da empresa nessa versão específica da plataforma segue diminuindo de forma gradual.
O que esse vaivém revela sobre o futuro do metaverso da Meta
Esse episódio expõe uma tensão que acompanha a Meta desde a mudança de nome da empresa, ocorrida em 2021 justamente para sinalizar a aposta no metaverso. De um lado, a companhia reconhece publicamente que a versão original do projeto, baseada em headsets isolando o usuário do mundo físico, não conquistou o público em massa. De outro, recua diante de qualquer sinal de reação negativa dos consumidores que já se comprometeram com o ecossistema.
Ao mesmo tempo, a Meta redireciona boa parte de seus recursos para inteligência artificial e óculos inteligentes, como o Ray-Ban Meta, desenvolvido em parceria com a EssilorLuxottica. Bosworth chegou a defender que o metaverso é um conceito mal compreendido, que nunca esteve restrito à realidade virtual e também abrange realidade aumentada e experiências mobile. Esse discurso ajuda a explicar por que a empresa demitiu mais de mil funcionários do Reality Labs no início de 2026 e, ao mesmo tempo, insiste em manter viva, mesmo que em ritmo mais lento, a experiência original em VR.
O caso do Horizon Worlds mostra como a estratégia de metaverso da Meta segue em ajuste constante, indo e voltando conforme a reação do público e o desempenho financeiro da divisão. Para quem já usa a plataforma em headsets Quest, a boa notícia é que o acesso segue garantido por enquanto, ainda que sem novidades. Para o mercado como um todo, o episódio reforça que a promessa de mundos virtuais totalmente imersivos perdeu força diante de alternativas mais leves, como óculos inteligentes e aplicativos mobile. O futuro do metaverso da Meta, portanto, parece menos definido por um único produto e mais por um conjunto de apostas simultâneas, que podem mudar de direção a qualquer momento.
Fontes consultadas:
https://www.mundoconectado.com.br/realidade-virtual/meta-encerra-acesso-vr-horizon-worlds-junho-2026/
https://www.mundoconectado.com.br/realidade-virtual/meta-desiste-de-encerrar-horizon-worlds-vr-para-o-quest-por-enquanto/
https://tecnoblog.net/noticias/meta-encerrara-horizon-worlds-em-vr-nos-headsets-quest/
https://www.tecmundo.com.br/mercado/411766-meta-recua-e-nao-vai-descontinuar-metaverso-horizons-worlds-para-vr.htm