A plataforma que simbolizou a aposta mais cara da história recente do Vale do Silício acabou de ser desligada dos headsets Quest.
A data estava marcada no calendário. O Horizon Worlds, a aposta original da Meta para criar um metaverso em realidade virtual, deixou de funcionar em headsets após 15 de junho de 2026. A empresa confirmou a data em publicação nos fóruns da comunidade, detalhando o cronograma de descontinuação da versão VR da plataforma. A partir daí, o aplicativo ficou disponível apenas para smartphones com iOS e Android. Para muita gente, isso soa apenas como uma nota de rodapé na história da tecnologia. Mas o significado vai muito além. Em 2021, Mark Zuckerberg fez uma das apostas mais audaciosas que qualquer empresa de tecnologia já realizou: mudou o nome da companhia de Facebook para Meta e colocou bilhões de dólares na construção de mundos virtuais imersivos. Cinco anos depois, a conta chegou, e a pergunta que fica é inevitável: o metaverso realmente acabou, ou apenas mudou de endereço? Mundo Conectado
O que de fato aconteceu com o Horizon Worlds
A Meta confirmou uma virada de estratégia que fecha um ciclo. A primeira alteração aconteceu em 31 de março de 2026, quando mundos e eventos deixaram de aparecer na loja do Quest, incluindo espaços como Horizon Central, Events Arena, Kaiju e Bobber Bay. Esses eram os pontos de encontro mais frequentados da plataforma desde o seu lançamento, e perder acesso a eles significou, na prática, o esvaziamento da experiência social que a Meta prometia oferecer. MaisTecnologia
Para criadores e estúdios que produziam conteúdos para a plataforma, isso representou uma redução do público disponível na realidade virtual, obrigando muitos a reavaliar projetos ou adaptar experiências para telas de smartphone. O encerramento aconteceu num contexto de forte realinhamento estratégico da Meta, que começou 2026 com cortes na divisão Reality Labs e o encerramento de estúdios que trabalhavam em conteúdo para o ecossistema Quest. Distrito Online
Houve um momento de hesitação, vale registrar. O CTO da Meta, Andrew Bosworth, afirmou em publicação no Instagram que havia muita desinformação circulando sobre os planos da empresa, e declarou que o Horizon Worlds não estava morto, apenas sendo reposicionado para o segmento mobile. O recuo durou pouco. O aplicativo móvel do Horizon Worlds atingiu 45 milhões de downloads ao redor do mundo entre iOS e Google Play, com 1,5 milhão de downloads só em 2026. Mas um número alto de downloads não significa necessariamente sucesso comercial, como os dados seguintes deixaram claro. Mundo ConectadoInvesting.com
Quanto a Meta perdeu e por que isso importa para o mercado
A dimensão financeira do fracasso do metaverso da Meta é difícil de absorver. O Reality Labs, divisão responsável pelos projetos de VR e metaverso da empresa, perdeu 73 bilhões de dólares desde 2021, ano em que a Meta mudou de nome. Os consumidores gastaram apenas 1,1 milhão de dólares no aplicativo Horizon Worlds, o que representa uma fração ínfima perto do volume investido. É uma das maiores apostas tecnológicas que não se converteu em receita na história recente do setor. Boa Informação
Isso não significa que a realidade virtual esteja morta como categoria. Significa que o modelo de negócio escolhido pela Meta, centrado em mundos sociais imersivos acessados por headsets caros, não encontrou o público que a empresa projetava. As vendas de headsets Quest caíram 16% ano a ano entre 2024 e 2025, e a Apple também precisou reduzir a produção do seu Vision Pro de 3.500 dólares por conta da baixa demanda. O consumidor se mostrou menos disposto do que as projeções sugeriam a colocar um aparelho na cabeça para socializar. Boa Informação
Para o mercado global, o episódio serve como alerta sobre a diferença entre uma tendência real e uma narrativa de investimento. Projeções recentes estimam que o mercado global de metaverso vale 201 bilhões de dólares em 2026, com potencial de crescimento acelerado nas próximas décadas, impulsionado por avanços em realidade virtual, aumentada e blockchain. O tamanho do mercado em projeção, portanto, permanece enorme. O que mudou é quem vai liderá-lo e por qual caminho. Business Research Insights
O metaverso não acabou: ele apenas trocou de dono
A saída da Meta do centro do debate não representa o fim do metaverso como conceito. Representa, na verdade, uma redistribuição de protagonismo. Enquanto a empresa de Zuckerberg virava as fichas para a inteligência artificial, outras companhias continuaram construindo experiências imersivas com abordagens diferentes. Roblox, Fortnite e plataformas de jogos continuaram entregando o que o Horizon Worlds nunca conseguiu: uma base de usuários engajada, recorrente e disposta a gastar dentro do ambiente virtual.
A Meta agora aposta em novos modelos de inteligência artificial, incluindo projetos com os codinomes internos Mango e Avocado, desenvolvidos pelo Meta Superintelligence Labs, como forma de reposicionar a empresa na corrida tecnológica global. A IA, portanto, é a nova aposta grande. Mas isso não apaga o fato de que mundos virtuais imersivos continuam sendo desenvolvidos, só que por jogadores diferentes e com uma proposta mais centrada no entretenimento do que na ideia ampla de “substituir a realidade”. AI Business Journal
O leitor que acompanha o setor precisa entender que o metaverso como plataforma de trabalho, socialização e comércio virtual não vai simplesmente desaparecer. O que acabou foi uma versão específica dele: cara, hermética, dependente de hardware de nicho e desconectada dos hábitos reais das pessoas. A versão que vai sobreviver, e provavelmente crescer, é a que nasce do lugar onde as pessoas já estão: em jogos, em aplicativos mobile e em experiências aumentadas que não exigem que ninguém coloque óculos para interagir.
O encerramento do Horizon Worlds em VR marca o fim de um ciclo de hype, não o fim de uma categoria. Para quem acompanha tecnologia com seriedade, o momento pede menos euforia e mais atenção ao que os usuários efetivamente escolhem usar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
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