Escola Metaverso SP uniu aulas presenciais sobre blockchain, criptomoedas e ambientes virtuais em parceria com o TokenNation.
São Paulo se tornou um dos primeiros municípios do país a oferecer formação pública presencial voltada para tecnologias imersivas. A iniciativa nasceu de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o TokenNation, ecossistema brasileiro dedicado a blockchain e tokenização, e resultou na Escola Metaverso SP, projeto que combina educação pública, gamificação e cidadania digital.
A proposta responde a uma dúvida que cresce entre educadores e gestores públicos: como preparar a população para um mercado de trabalho cada vez mais atravessado por blockchain, inteligência artificial e ambientes virtuais, sem depender exclusivamente da iniciativa privada. O caso paulistano oferece pistas concretas sobre esse caminho.
Como funciona a Escola Metaverso SP
O projeto teve sua primeira versão apresentada em junho de 2025, durante o TokenNation realizado no Pavilhão da Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera. Naquele momento, o público pôde viver uma experiência imersiva e gratuita explorando versões digitais de pontos históricos e simbólicos da capital, como o MASP, a Prefeitura de São Paulo, a Catedral da Sé e o Minhocão. O acesso a esse ambiente acontece pelo aplicativo Spatial, disponível em celulares, computadores e também em óculos de realidade virtual. Prefeitura de São Paulo
Passados alguns meses, a iniciativa ganhou um formato mais estruturado. A escola passou a oferecer treinamentos presenciais para jovens e adultos sobre criptomoedas, blockchain e modelagem básica de ambientes virtuais, com sede fixa no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Diferentemente do protótipo inicial, voltado à exploração livre da cidade digital, essa nova fase concentrou esforços em conteúdo formativo, com carga horária definida e professores especializados conduzindo os módulos.
O curso foi dividido em duas frentes complementares. Uma delas tratou de criptomoedas, blockchain e cidadania digital, enquanto a outra se concentrou em introdução ao metaverso e modelagem básica, cobrindo desde arte digital até a criação de avatares e construção de espaços virtuais. As aulas ocorreram de terça a sábado, em turmas reduzidas, para favorecer o acompanhamento próximo dos alunos.
Números da primeira turma e conteúdo das aulas
A aula inaugural aconteceu em 19 de fevereiro de 2026, no CCSP, e reuniu 130 alunos inscritos logo na abertura. O interesse já havia se manifestado antes mesmo do início oficial das atividades: segundo os organizadores, a escola registrou mais de 100 inscritos já na primeira semana de divulgação. Prefeitura de São PauloCointimes
O formato pedagógico chamou atenção pela diversidade do público. Participaram do curso pessoas de diferentes idades e profissões, incluindo artistas visuais interessados em transportar seu trabalho para o ambiente digital e profissionais de outras áreas em busca de qualificação e ampliação de rede de contatos. Essa mistura, segundo relatos coletados durante as aulas, ajudou a tornar o aprendizado mais prático e menos restrito ao vocabulário técnico do setor cripto.
O cronograma previa encerramento em 15 de abril de 2026, com a formatura das primeiras turmas ocorrendo no mesmo mês. Segundo Marco Affonseca, sócio do TokenNation, “a Escola Metaverso SP nasce para aproximar essas ferramentas da população, de forma prática, gratuita e inclusiva”. A fala resume o objetivo declarado do projeto: reduzir a distância entre um vocabulário técnico, ainda pouco compreendido pela maioria da população, e o cotidiano de quem busca uma recolocação profissional. TradingView
Por que o poder público investe em tecnologias imersivas
A escolha de um órgão municipal para liderar esse tipo de formação chama atenção porque foge do padrão mais comum, em que empresas privadas concentram a oferta de cursos sobre blockchain e metaverso. A gratuidade do curso e sua realização em espaço público, o CCSP, ampliam o alcance para pessoas que normalmente não teriam acesso a esse tipo de conteúdo, seja por barreira financeira, seja por falta de informação sobre onde procurar.
Outro ponto de destaque é a conexão entre a escola e outras ações de inclusão digital já conduzidas pela SMIT com estudantes da rede pública desde 2023. A ideia é que o projeto não fique restrito a uma experiência pontual, mas se integre a um histórico mais amplo de aproximação entre tecnologia e educação municipal, o que dá ao programa uma perspectiva de continuidade que vai além de uma única turma.
O caso também dialoga com um cenário nacional em que o Brasil aparece de forma recorrente entre os países com maior volume de compradores de NFTs e usuários interessados em ativos digitais. Nesse contexto, iniciativas como a Escola Metaverso SP funcionam como uma tentativa de organizar essa demanda dispersa em formação estruturada, com začo institucional e critérios pedagógicos claros, em vez de deixar o aprendizado por conta de conteúdos informais espalhados pela internet.
A formatura das primeiras turmas marcou o fim de um ciclo, mas não necessariamente o fim do projeto. A continuidade da Escola Metaverso SP em novas edições dependerá da avaliação de resultados e do interesse da população em participar de futuras chamadas, além da disposição orçamentária da gestão municipal para manter esse tipo de investimento em capacitação digital gratuita.
Para quem acompanha o setor de tecnologia no Brasil, o episódio reforça uma tendência: o metaverso e o Web3 deixaram de ser discutidos apenas em eventos corporativos fechados e começam a aparecer, ainda que de forma tímida, dentro da agenda de políticas públicas municipais.
Fontes:
Prefeitura de São Paulo | Cointimes | Livecoins | Exame